Preço do alcool sobre em São Paulo

Litro do álcool acumula alta de 17,8% em março
04/04/2007
Depois de pagar R$ 0,10 a R$ 0,20 a mais pelo litro do álcool nos postos de combustíveis, na última semana, o consumidor deve se preparar para novos reajustes que devem acontecer ainda no Feriado de Páscoa, dessa vez também na gasolina. Segundo o Sindicato dos Revendedores de Combustíveis de Campinas e Região (Recap), as distribuidoras já estão anunciando acréscimo de até R$ 0,13 por litro de gasolina e até R$ 0,15 no álcool. A alta acumulada ao longo do mês de março no álcool hidratado foi de 17,8%, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
De acordo com o mesmo indicador, o álcool anidro (misturado à gasolina) subiu 25,7%, sem considerar a inflação, somente em termos nominais. Desde a segunda quinzena de abril do ano passado, não eram registrados valores maiores que os atuais, segundo levantamento do Cepea.
"Está uma bagunça generalizada", reclama o proprietário do Posto Ângelo Simões (Ale), Cláudio César Sanches. O reflexo da alta de 25,7% do álcool anidro se deu no acréscimo de R$ 0,03 no litro da gasolina. "E ainda vai ter mais reajuste, segundo as distribuidoras", completa Sanches, que deve repassar ainda hoje a alteração no litro da gasolina se receber o produto mais caro. Na semana passada ele aumentou o litro do álcool de R$ 1,35 para R$ 1,47.
"O consumidor está reclamando da alta e associando tudo isso à visita do Bush (presidente dos Estados Unidos) e à negociação do Governo", afirma Juliana Viola, sócia-proprietária do posto, que vende mais gasolina (60%) que álcool (30%) e diesel (10%). "Esse é o efeito Bush", confirma o gerente do Posto Conceição (Aster), Cláudio Carvalho. "São os usineiros que estão no comando. Os consumidores devem ficar atentos", diz ele prevendo novos reajustes.
O gerente do Posto Maria Monteiro (BR), Givanildo Lourenço da Silva, diz que as distribuidoras não avisam os novos preços. "A gente só sabe que subiu quando recebe." Ele acredita que se o álcool continuar subindo, o consumidor vai voltar para a gasolina. "Hoje em dia o cliente não é bobo."
O comerciante Marcos Roberto Poffo conta que já sentiu o aumento do álcool quando abasteceu seu CrossFox Totalflex, mas ele ainda acha que compensa a opção pelo combustível da cana-de-açúcar. O professor Marco Antonio Bergamaschi também continua com o álcool, apesar de ter pago R$ 1,40 no litro do álcool, na semana passada, e R$ 1,50, ontem. "Agora está na entressafra. Mas acho que em 90% das situações o álcool é vantajoso. Eu acho que vai cair depois", espera o professor,
O Posto Mesquita (Shell) prevê um aumento de até R$ 0,04 no litro da gasolina nos próximos dias. Já no Posto Colonial (Esso) a gasolina subiu de R$ 2,39 para R$ 2,49, na semana passada. Para o gerente, Celso Cardoso, só não aumentou o preço quem estava com estoque alto. "Mas não vão segurar por muito tempo, porque a matemática é uma só." O álcool teve uma alta de R$ 1,39 para R$ 1,49. Segundo ele, apesar dos aumentos, o movimento no posto não caiu.
PONTO
DE VISTA
EMÍLIO ROBERTO MARTINS
Presidente da Recap
Não há coerência
Todas as distribuidoras (de combustíveis) estão anunciando novos preços ainda durante o feriado (Semana Santa), que virão com R$ 0,10 a R$ 0,13 a mais na gasolina e até R$ 0,15 no álcool. Para nós (proprietários dos postos) é uma grande surpresa, porque não há coerência. Essa alta no início da safra não é coerente com os anos anteriores. Não há nenhuma informação de que esteja faltando o produto. Portanto, esse reajuste não é nada que seja oriundo do mercado. Começamos o ano vendendo o álcool a R$ 1,25 e vamos chegar a quase R$ 1,60 em abril. Entre a última quinta-feira e ontem houve aumento de R$ 0,07 e depois de R$ 0,13; eles aumentam um pouco numa semana e depois mais um pouco. Os postos vão continuar repassando, porque não há outra alternativa. A alta nas usinas é inexplicável.
Exportação do produto cresce 7,94%
As exportações de álcool etílico (combustível), em todo o País, cresceram 7,94% em apenas um mês, de fevereiro a março de 2007, segundo dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. No último mês de fevereiro, foram exportados 207,8 mil toneladas de álcool etílico, volume que subiu para 224,3 mil toneladas em março. O aumento na exportação chegou a 19,2% na comparação entre março de 2006 (188,1 mil ton) e o mesmo mês de 2007. Não há, porém, confirmação de que o aumento nas vendas externas seria a causa da falta de disponibilidade de álcool no mercado e, conseqüentemente, da variação para cima no preço do produto. "São as leis de mercado que estão pautando o valor", afirma a pesquisadora Ivelise Rasera Bragato, da equipe Sucroalcooleira do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Já para o presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis de Campinas e Região (Recap), Emílio Roberto Martins, a alta não é oriunda do mercado e não há justificativa para o aumento das usinas. A pesquisadora confirma que a alta do álcool refletiu uma disponibilidade menor do produto, mas ela não atribui à exportação. (AM/AAN)
Autor: Adriana Menezes
Fonte: Correio Popular
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